segunda-feira, 28 de abril de 2014

Abril

Quando eu era miúda tinha as coisas muito bem resolvidas na minha cabeça. Tenho uma tia que se lembra de mim a cantar, Avé, avé (como decerto me terá ensinado a minha avó) e, logo a seguir, Avante camaiada e tudo daí para diante (não passei dos treinos, sou simpatizante mas não associada de direito pleno, gosto de me manter livre até nisso).

Abril era mês de vermelho rubro e eu, que não era do Benfica, juntava morte e vida, prisão e liberdade tudo no mesmo conjunto, porque assim era na minha cabeça: é preciso sofrer para apreciar (é chato, mas é assim) e todas as vitórias arduamente conquistadas tem um sabor mais absoluto, que vem da certeza da conquista, do segurar com as mãos.


40 anos depois, comemoro o nascimento daquela pequena criatura que já vai com 6 anos no bucho e me pergunta quando volta a nascer o arco-íris em Portugal, e da liberdade (embora cansada, embora desesperançada, a beber «a coragem até dum copo vazio») e penso que o meu Abril continua a ser assim, todo muito bem resolvido...





... na minha cabeça.

(e na minha cabeça, é Abril todos os dias!)