segunda-feira, 29 de junho de 2015

De bloggers e assim

Não gosto de publicidade mal disfarçada (estou quase a desistir de ver o Mar Salgado à conta disso...), mas, sendo nova nisto dos blogs, às vezes estou, vá, distraída e há coisas que não me parecem publicidade a sério: talvez porque a história em volta até está aparentemente bem esgalhada, talvez porque não me apetece andar sempre a ver segundas intenções em todas as coisas que "alimentam" as casas blogosféricas alheias...
Assim sendo, sou a Suíça.

Dá-me jeito que alguém que começou a viver/vive do que faz num blog experimente e me "diga" se gostou (vamos acreditar que para os seus seguidores seja verdadeira/o);

Se eu não quero, ou não posso, ou não gosto, estarei no meu direito de, no meu blog, dizer o que me aprouver sobre o assunto #publicidademalamanhada, porventura até de forma pouco elegante (vamos acreditar que expresso uma opinião que não é contrária à lei);

Tudo o resto só serve para alimentar bodegagem.



(E sim, #piscopequeno anda numa escola pública e leva lanche: caso contrário, o lanche da escola volta intacto. Não conhecia os queijinhos em causa, mas #piscopequeno curte de minibabybel e aquele queijo fundido em sticks; e não, não é intolerante à lactose e, como tem baixo peso, pode comer de tudo... e deve, mas não faz.)

(E sim, cá em casa faz-se molho de tomate, mas não a massa – a do Lidl é a melhor, nem experimentem mais nenhuma –; de quando em vez o Lidl também tem molhos bem bons e a pizza faz-se com o que há de restos, mozarella fresco e ralado; ou comemos pizzas do Pingo Doce, mas feitas lá.)


*Este post tem muitas marcas mas não é publicidade: há quem não goste, há quem goste, ninguém me pagou em géneros, números ou...)

Sou má mãe, eu sei!


Para a mãe da criança gritando na Feira do Livro da escola
Carta de uma professora à mãe do aluno que acabou de lhe dizer que ela é a pior mãe do mundo.

Eu vejo você na biblioteca da escola primária na qual eu dou aulas, e seu filho de quatro anos está gritando com você. Ele está gritando desesperadamente na sua cara. É por isso que eu estou olhando para você. É por isso que todo mundo está olhando para você. Ele está tão bravo porque você não quer comprar o novo livro do Lego Star Wars de R$40 que inclui os bonecos de lego que ele "precisa, precisa preciiiiiiiiiisa" ter.


Ele está fazendo uma cena enorme. Eu o ouvi do outro lado do corredor. Ele está gritando e socando suas pernas enquanto se contorce de dor emocional no chão. Ele está chorando e chorando, dizendo aos gritos como você é má e como é rude da sua parte não dar a ele o que ele quer. Seu mundo está desmoronando. Ele acabou de dizer que você é a pior mãe do mundo.


Mais pessoas estão olhando para você agora. A senhora no caixa está congelada, sem saber como reagir. Todos estão olhando, apenas esperando e se perguntando como você irá lidar com ele. Ele está fazendo uma grande cena, e essa cena está ficando cada vez mais barulhenta e mais desconfortável de assistir.


Leia A questão relevante sobre o grito


Eu vejo uma lágrima brotando em seu olho, mas também vejo a coragem e força que você está forçando a permanecer em seu rosto. Você está calma e serena, aparentemente não está incomodada com sua birra. Você continua o que estava fazendo no caixa, e depois coloca os livros na sacola, calmamente toma sua filha pela mão, e recolhe o pequeno gritando, e caminha para fora da biblioteca. Ele continua a se contorcer e bater em você. Ele acabou de arranhar seu rosto, deixando uma grande marca em sua bochecha, mas você continua caminhando calmamente.


Conforme você anda até o seu carro (e eu não posso deixar de seguir e observar com admiração suas técnicas de parentalidade mágicas), eu o escuto gritar, "VOCÊ PROMETEU QUE EU PODIA COMPRAR UM LIVRO HOJE!" entre soluços e tentando recuperar seu fôlego sem sucesso. Você calmamente responde: "Eu lhe dei R$5 para gastar em um livro hoje. Você escolheu um livro que custa mais de R$5. Então você preferiu passar o seu tempo na feira do livro chorando e gritando em vez de procurar outro livro que custasse R$5. Sinto muito por você ter feito essa escolha, deve ser muito triste para você sair da feira do livro sem nenhum livro hoje."


Ele, claro, não gostou dessa resposta. Na verdade, ele está gritando ainda mais alto agora. Ele está se contorcendo tanto que quase cai de seus braços. Você o coloca calmamente no chão com firmeza, mas com amor, pega seu pulso para que ele não fuja. Em seu tom mais calmo, paciente e maternal possível, você diz: "(nome), eu te amo. Eu te amo muito. Eu sei que você está triste agora, e eu fico triste por vê-lo tão triste. Vamos entrar no carro e encontrar o seu cobertor especial, que sempre faz você se sentir melhor."


Ele responde: "mas, mas, mas… você não comprou o meu livro…" Você novamente repete o que disse anteriormente: que você está triste por ele ter escolhido perder seu tempo chorando em vez de encontrar um livro que custasse R$5.


Então, sem mais uma palavra, você lhe dá um grande abraço (ao qual ele resiste), o pega no colo (apenas para ser novamente arranhada na cara), e o coloca em sua cadeirinha no carro. Você fecha sua porta e inclina-se sobre o carro por um breve momento. Você deixa escapar um suspiro de frustração antes de entrar no carro e ir embora.


Você não cedeu hoje. Você não cedeu em momento algum, e por isso eu quero dizer obrigada.


Obrigada por ser uma mãe que estabelece limites para seu filho. Obrigada por ser uma mãe que não cede ao constrangimento social para apaziguar os desejos de seu filho pequeno que está gritando.


Obrigada por escolher não lhe dar tudo o que ele quer.


Obrigada por ter a maturidade de pegá-lo no colo enquanto ele se contorcia e gritava, e calmamente explicar-lhe as razões pelas quais você não comprou o livro do Lego para ele hoje.


Obrigada por ter a maturidade para conversar com seu filho como um adulto e permitir-lhe ver as consequências de suas ações. Obrigada por ter explicado para ele que isso não era um problema seu, que era uma confusão que ele havia criado para si mesmo baseado em uma escolha que ele fez.


Muito obrigada por ser um exemplo para todas as outras mães de que ser uma mãe (ou pai) firme que cumpre sua palavra é muito mais importante do que ceder para acalmar gritos. Obrigada por ser uma mãe que seus filhos podem confiar, porque você é consistente e firme.


Obrigada por ser uma mãe que faz seus filhos se sentirem seguros com você, porque eles sabem seus limites e expectativas. Obrigada por amar seus filhos o suficiente para não ser sua amiga, mas sim assumir o papel de mãe.


Como professora, eu vejo todos os dias uma grande variedade de pais e vejo todo o espectro de estilos parentais e abordagens. E como uma professora, eu posso ver a extrema necessidade que o mundo tem de mais mães como você.


A feira do livro foi há três meses, e eu ainda estou pensando sobre você e a maneira como você lidou com a birra de seu filho naquele dia. Você deixou uma marca em minha mente, e nas mentes de todos que assistiram você como eu fiz em fevereiro.


Obrigada por ser o tipo de mãe que cria filhos respeitosos e humildes. Sua influência é muito maior do que você jamais vai saber.


Atenciosamente,


Uma professora grata.

(Este artigo foi publicado originalmente em Argyle in Spring e republicado aqui com permissão. Traduzido e adaptado por Sarah Pierina)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Disto que me faz feliz



Acabou no domingo.
(mas não sem antes eu lá ter ido no último fim de semana. No sábado foi mais só porque calhava em caminho, fomos lá buscar uma trabalhadora esforçada para irmos jantar a seguir. Na verdade, o jantar – mesmo bom! – acabou por ficar entalado entre duas idas à Feira. Consegui conter-me e só comprei


porque o dia a seguir é que era a sério!!!

só que não.

No dia a seguir chovia que Deus a dava e só conseguimos chegar à Feira às oito da noite. #Piscogrande fez um enorme esforço para se divertir, mencionando idas às farturas (check!), aos pastéis de nata (nope, tudo esgotado) e a outras iguarias, que ele é mais moço de documentários e DIY @ Youtube (ide procurar se não sabeis o que é, muito útil na hora de voltar a pôr as horas certas na viatura e outras demandas que tais), mas #piscopequeno é que não esteve pelos ajustes: um ar de enfado que só visto, benza-o deus! Nem o
o fez descruzar os braços.
Ainda assim, e à revelia, trouxe isto:
– embora a minha intenção fosse trazer também O Sr. Raposo, a verdade é que houve para ali uma confusão e achei que ainda faltava um livro para trazer o saquinho da Alice, mas depois não e afinal faltava mesmo porque o senhor não me tinha ouvido... Enfim, menos um Roald Dahl, mais uma Philippa Gregory cá para casa.
Para além da atitude de #piscopequeno – para o ano que vem temos de repensar este esquema! – fiquei triste porque O dia em que os lápis desistiram (do  Oliver Jeffers) esgotou no stand da Orfeu Negro precisamente no domingo... e eu que não o levei no sábado para poder dar o gostinho ao meu filho, já que os livrinhos de OJ têm lugar cativo no coração literário lá de casa. Agora só em setembro...

Ainda bem que uns dias depois chegaram os livros da Kalandraka! – #piscopequeno até pulou na cama de contente.
Enfim... Agora andamos todos entretidos a ler e a má disposição ficou para trás: realmente não há nada que um bom livro não cure!)

Disto que nos salva

(às vezes ando por aí na blogosfera, e tudo são guerras. São os que querem mandar nisto tudo, são os que se revoltam com as mesmas armas, é a gente a tentar adivinhar quem é quem por entre os comentários – e se há «evangelizações» mazinhas, também há comentários do demo – e, no final, embora por vezes me ria – há alguma coisa mais engraçada do que ver alguém cair e chafurdar na lama ? –, também me dá uma coceira, uma beliscadura na consciência: não gosto de ser má, não quero, achar piada na desgraça alheia não faz de mim alguém melhor, um exemplo, mas só mais uma daquelas pessoas que assobiam para o lado, a achar que a desgraceira em que a humanidade se tornou nada tem a ver com elas.)
E depois encontro isto:
http://eueleeamaria.blogspot.pt/2015/06/no-facebook.html
e renovo a minha esperança e a minha fé no futuro.