terça-feira, 25 de novembro de 2014

Macaquinho de chinês com a morte

Estou neste momento a trabalhar num livro onde a Morte está muito presente. Infelizmente, também há minha volta morre gente de que gosto, e por isso o tema me atrai e me repele. Nada posso fazer: não escolho os livros (será que eles me escolhem?), e também não tenho controlo sobre a Morte, vai e vem como lhe apetece, essa magana.
O livro traça um paralelismo entre a vida da autora, que é viúva, e a de Madame Marie Curie, no seu papel de viúva de Pierre Curie. A páginas tantas, menciona-se a existência de coincidências (MRP, não percebes nada disto!) que coincidem (Paul Kammerer, biólogo austríaco e autor de uma lei sobre as casualidades, dixit), da sincronia de tempos e temas; e Rosa Montero, a autora, menciona alguns episódios onde essas coincidências, essas sincronias se mostram.
Estou a rever esta passagem, e detenho-me: «de repente a Morte chegou a correr e pousou a sua manápula amarela […]. Foi a 19 de abril […]. [Ela] tinha […] trinta e oito.» – parece realmente demasiado para não ser coincidência que alguém que revê um livro sobre a Morte ande, de há uns tempos a esta parte, a cogitar que só encontra alguns amigos em velórios; que, de há dez anos a esta parte, todos os que foram ao seu casamento e morreram tenham partido por culpa do cancro (tal como o marido de Rosa Montero); que tenha um filho, o único até agora, que nasceu precisamente a 19 de abril; e que essa mesma pessoa tenha, neste instante, quase 38 anos (falta menos de um mês, já conta). São muitas indicações, demasiadas setas luminosas a apontar, para não notarmos que o universo me nos está a querer dizer alguma coisa: joga ao macaquinho de chinês com a Morte mais um bocadinho. Não ganhes, não ganhes, que os outros não ganhem também, quero-os a todos aqui, não vás já embora, fica porque eu te amo, fica mesmo que eu não te veja, vamos jogar ao macaquinho de chinês com essa malandra e tentar vencê-la, uma e outra e outra vez.
Até ao fim, com um sorriso. Até sempre.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fatos (oi?!) da vida #9 AKA NÃOOOOOOOO!

É só para dizer que, de entre tanta desgraça que sobrevém neste mundo de Deus (e nesta desgraceira em que andam a transformar o meu país), a piorzinha  é mesmo esta.

respira, respira, um quadradinho enquanto há; respira, respira, um quadradinho enquanto há – mantra a repetir enquanto dá (e mais um quadradinho por teres dito isso)
...
e mais outro
...
ok, só mais um.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Isto explica

porque é que a minha máquina de lavar louça continua avariada, quase dois anos depois:

Cuidado com as cápsulas para detergentes. INEM já recebeu 200 chamadas - Portugal - DN

(afinal, piscogrande anda atento à segurança de piscopequeno!)

Diz qué hoje

Diz que hoje é dia da Bondade













E depois há isto:

(alguém acordou com os pés de fora e não pode ficar na ronha)

sábado, 8 de novembro de 2014

@ Facebook #3

Acabo de ouvir a MRP a dizer qualquer coisa como: «... o que lhe posso dizer é que eu, quando escrevo os meus livros, nem sequer penso...» (podia fornecer o contexto, mas assim é TÃOOO melhor)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

IUPIII!

Para duas meninas que estão grávidas do bebé n.º 3 – e porque uma delas se queixou de reacções pouco entusiásticas (Re Grávida) – deixo aqui a minha pequena contribuição:


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mulheres

Eu queria ser capaz de responder a isto como uma senhora, mas não sou.

Não quero falar de toda essa maravilhosa existência que, aparentemente, as mulheres da vida do senhor Saraiva tiveram. Nem sequer da luta que as mulheres da minha vida (as que conheci e as que nunca vi mas que cá estão, gravadas no que sou) travaram, ou de um passado-mais-que-passado que nem foi bem meu. Não quero falar dos meus avós, um no mar, outro na estiva, da minha mãe que ficou sem pai aos quatro anos e teve de crescer separada das irmãs, do meu pai que tinha o pai no mar e ele a crescer numa casa quase só de mulheres valentes (mulheres de homens do mar são sempre valentes, valorosas), mulheres trabalhadoras. Não quero falar da minha mãe, que tinha de trabalhar no comércio com horários ainda piores do que os de hoje, mas que guardava as férias todas para as filhas, para que pudéssemos descobrir a magia do cinema ou visitar um museu pela primeira vez... sem sapatos. Não quero falar da minha sogra, que só arranjou emprego mais tarde para poder tomar conta dos filhos, e que agora gostava de poder tomar conta dos netos mas não dá, porque tem de continuar a descontar para a reforma (não a dela, claro, a de alguém que não ela).

Eu queria ser capaz de responder a esta coisa com algo assim, mas não sou.

Posso falar é de mim, de quando fiquei desempregada e fui obrigada a ser dona de casa a tempo inteiro – o ênfase está no OBRIGADA. Foi dos piores tempos da minha vida, e (acreditem) isso é dizer muito.

Sou mais feliz com esta correria por vezes insana: «acorda, #piscopequeno, olha o lanche, olha as senhas, olha a mochila, aperta o cinto, como não sabes? tenho de ser eu a fazer tudo, por amor da santa! chego ao trabalho, leio, leio, rio-me, leio, leio, supermercado,vamos embora, #piscopequeno? mãe, eu não quero! mas são sete da noite e tu ainda tens de tomar banho e brincar e eu de fazer o jantar e ver os trabalhos e só temos duas horas e ufa! E só depois chega o #piscogrande, quase sempre muito depois das dez da noite, quando já descambei no sofá - continuamos amanhã às seis, pode ser?». Sou mais feliz quando tenho coisas para contar de como foi o meu dia, tal como #piscopequeno tem coisas para contar do seu dia desde que anda na escola, e não passa todo o seu tempo em casa com os avós. Sou mais feliz durante aquela meia-hora em que lavamos dentes, fazemos chichi e lemos a história (sempre a história) e "remenescamos" um bocadinho, para que as coisas boas se agarrem aos sonhos e aí fiquem até de manhã.

Eu queria ser capaz de responder àquela coisa com algo assim, mas não sou. Na verdade, só me apetece responder-lhe, tal como um certo senhor escritor pelos visto pouco elegante e com nome de erva, com um sonoro «Vá à merda!».

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

@ Facebook #2

Nunca serei igual a homens que usem sapatos com 10 cm de salto. Também nunca serei igual a mulheres que usem sapatos com 10 cm de salto. Salto agulha não é comigo. A igualdade na diferença, por outro lado, é coisa que me apraz (e que usaria - e uso? - todos os dias)

sábado, 1 de novembro de 2014

@ Facebook

Hoje há um que quase vomita com a água que engoliu. Hoje há um que não pára sentado. Nenhum deles é ‪#‎piscopequeno‬.

JM dixit 12

Na catequese, hoje de manhã, o catequista pede aos meninos que façam um desenho copiando um dos que estão no catecismo. Piscopequeno, indeciso, diz que não sabe qual escolher. Piscogrande, numa de ajudar, sugere que ele escolha um fácil.
Resposta pronta de piscopequeno:
– Nesse caso, vou escolher...
 (imediatamente completado com a frase respectiva)